Time de freiras quebra paradigmas e mita no futebol

Seja no convento ou na praça, as irmãs Carmelitas de Monte Sião, da cidade de Ponta Grossa (PR), a 100km de Curitiba, não escondem a paixão pelo futebol. Bater uma bolinha já é tradição para as freiras, que colocam a fé em prática até na hora do jogo.

– Só o fato de nós estarmos usando o hábito, o véu, já significa que nós queremos dar um testemunho de Jesus pras pessoas. Não importa onde nós estamos. Nós damos o testemunho de que nossa vida é uma oração – explica a irmã Andressa.

As irmãs carmelitas de Ponta Grossa (PR) usam as praças da cidade para jogar futebol (Foto: Gabriela Ribeiro)As irmãs carmelitas de Ponta Grossa (PR) usam as praças da cidade para jogar futebol (Foto: Gabriela Ribeiro)

As irmãs carmelitas de Ponta Grossa (PR) usam as praças da cidade para jogar futebol (Foto: Gabriela Ribeiro)

Antes da diversão, os momentos sagrados. Elas moram em casas diferentes da região dos Campos Gerais e, diariamente, dividem momentos de leituras, canções e rezas. O futebol é compartilhado no tempo de lazer, já que a vida de reclusão tem sacrifícios e exige que as freiras sigam à risca a rotina religiosa.

– Muitas irmãs gostam de jogar, e nós precisamos fazer um tipo de exercício físico. A ideia foi nos reunirmos no nosso dia comunitário. Iniciamos em uma praça da cidade – conta a irmã Maria Madalena.

Constantemente em missões e viagens, as carmelitas não têm local fixo para praticar o esporte. Quando estão em Ponta Grossa, variam entre o Parque Ambiental e outras quadras públicas nos arredores do principal convento da cidade. Com uniforme inusitado, o time chama a atenção de quem passa.

– Eu nunca tinha visto irmã jogando, então achei muito curioso, interessante e fiquei observando. É a primeira vez que eu vejo isso – disse Helena Komay, uma habitante da região, intrigada com o grupo de freiras.

Freiras x time do bairro: Carmelitas!

Enquanto o GloboEsporte.com acompanhava o treino das irmãs, em um fim de manhã, um grupo de estudantes as desafiou para uma partida. Os adolescentes desistiram rápido do confronto: em poucos minutos de jogo, as carmelitas abriram 2 a 0 no placar.

As próprias irmãs garantem que nada na história foge do comum. Apesar da indumentária característica até na hora de jogar bola, elas seguem um cotidiano como outro qualquer.

– Nós somos religiosas, consagradas, mas também temos uma vida normal. A gente se diverte, algumas jogam melhor, outras mais ou menos, mas pra gente conviver. Pra gente mostrar que somos capazes de jogar futebol – resume a irmã Chiara.

Como todo bate-bola entre amigos, algumas freiras se destacam, enquanto outras vão no ritmo do time. Mas elas se unem sempre, independentemente da qualidade individual, com o mesmo grito antes de entrar em quadra:

Time, time… Carmelitas!

A irmã Andressa é uma das craques e prefere o futebol raiz, sem chuteiras. A opção pelos pés descalços nada têm a ver com a religião.

– Todos ficam curiosos com o que a gente vive. Porque pensam que a irmã está só dentro do convento. E as irmãs foram feitas também para sair, para estar em missão – prega a freira.

Irmã Andressa prefere o futebol raiz, sem chuteiras (Foto: Gabriela Ribeiro)Irmã Andressa prefere o futebol raiz, sem chuteiras (Foto: Gabriela Ribeiro)

Irmã Andressa prefere o futebol raiz, sem chuteiras (Foto: Gabriela Ribeiro)

Fantasma católico

Não é só com a bola nos pés que elas se divertem. As irmãs Maria Madalena e Chiara, por exemplo, são torcedoras de coração do Operário-PR, campeão da Série D.

– Nós vamos às vezes no estádio, mas o intuito maior é porque nós estamos em reforma com a nossa paróquia e vendemos show de prêmios para a torcida. Mas não tem como não interceder, vibrar junto com eles, porque é inédito. Em particular para nós, que gostamos do futebol – conta Maria Madalena, sobre o troféu conquistado no último domingo.

Fonte: Globo